VII Encontro de Iniciação Científica FA7

Anais

A FORMAÇÃO CULTURAL DOS PROFESSORES DE ARTE E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA DOCENTE

Relato de Pesquisa
Autor Principal: Lívia Thayna Sousa da Silva
Área: Pedagogia
Professor Orientador: José Albio Moreira de Sales

Resumo

INTRODUÇÃO O presente relato tem como objetivo investigar a frequentação dos professores de arte a espaços e eventos artístico-culturais da cidade de Fortaleza, e, a relação desta atividade com a formação docente desses sujeitos. Sendo, que essa pesquisa faz parte de um projeto em andamento, financiado pela Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que tem como objeto de estudo o processo de formação dos professores do ensino de arte de IES públicas e privadas de Fortaleza, em seus aspectos teóricos e práticos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utiliza as concepções teóricas de autores que abordam a temática da formação cultural e o ensino de arte. Tendo como instrumento de coleta de dados entrevistas semi-estruturadas, que por enquanto foram realizadas com uma amostra de trinta professores de IES de Fortaleza que oferecem curso de graduação em artes. Sabemos que é imprescindível que os professores de arte tenham uma formação inicial concretizada em nível universitário e também uma formação contínua, no qual está envolvida a formação cultural ou pessoal. Como Nogueira (2010) explicita todo ser humano é portador de cultura e nasce dentro de uma determinada cultura, com base nisso o professor de Arte deve buscar continuamente uma formação cultural, ou seja, aquela que o coloque em contato com outras possibilidades de compreensão da realidade, não se restringindo apenas aos conteúdos específicos da sua disciplina. De maneira geral, algumas universidades e seus cursos são um poucos omissos com respeito a essa formação, isso porque não existe muitos eventos artísticos culturais promovidos dentro dessa instituição que visem uma formação mais ampla e humanitária, que traga para seus alunos a oportunidade de usufruir os bens culturais tendo um direcionamento e sendo estimulado o hábito de frequentar tais espaços. REFERENCIAL TEÓRICO Sabe-se que uma das responsabilidades da escola é proporcionar aos seus alunos um conhecimento teórico e prático sobre o mundo cultural, ajudando-os a construir o seu gosto estético e assim será capaz de usufruir dos bens culturais pertencentes a sociedade humana. Mas, para cumprir tal responsabilidade a escola e o governo deve implementar uma política de formação profissional que preveja o desenvolvimento cultural e estético do seu corpo docente. A formação docente em Arte entendida como um espaço de construção e reconstrução permanente da identidade pessoal e profissional não pode ser mais vista como um processo de acumulação de teorias, e, conhecimentos dispostos de forma estática (técnicas), desvinculados do contexto, da concepção e da análise da cultura na qual os professores estão inseridos. A formação cultural mostra a importância de que os professores vivenciem continuamente experiências estéticas mas mais variadas linguagens artísticas, visando assim contribuir para a formação plena das práticas docentes, que se tornarão mais ricas e estimulantes em relação aos alunos. De acordo com Iavelberg (2003, p.54) "a atualização do professor em relação a cultura é importante, pois poderá apresentar aos alunos os conhecimentos mais avançados de sua época". Esse processo formativo acontece de vários modos e meios, como pelo estudo de literaturas diversas, assistindo filmes, ouvindo músicas, participação em cursos e em especial com a frequentação dos diferentes espaços culturais, que são verdadeiros âmbitos educativos, rico em elementos das quatro linguagens artísticas. Para apreender e apreciar os eventos culturais e as obras de arte o professor precisa desenvolver uma competência estética, ou seja, um conhecimento prévio e, a longo prazo a cada evento cultural que assistem, esses docentes passam a adquirir novos códigos ou competências que o ajudarão no desenvolvimento de um domínio dos princípios que fundamentam a produção, valorização e interpretação das manifestações artísticas, possibilitando que ele identifique aspectos que permitem a fruição de elementos formais estilísticos de obras e eventos artísticos. Além disso, segundo Bourdieu e Darbel, "o grau de competência artística depende não só do grau de controle do sistema de classificação, mas ainda do grau de complexidade ou de requinte desse sistema [...]" (2003, p. 74). Para o desenvolvimento dessa competência é necessário que a pessoa tenha acesso aos bens culturais e, assim possa a partir, dessa e de outras influências construí o seu gosto estético. Assim, como Almeida (2010) entendemos que quanto maior e mais variado for a formação profissional e cultural do professor, mais numerosas e apropriadas serão as propostas pedagógicas elaboradas para a construção do conhecimento dos alunos. Se o contato com as várias manifestações artísticas e freqüentação a espaços culturais for limitado o professor de arte também estará limitando suas experiências estéticas, com isso os recursos didáticos serão reduzidos, empobrecidos e exaustivo para os seus alunos. Aqui no Brasil, apesar dos avanços na área a questão da formação cultural para educadores é difusa e incipiente. Dentre os documentos que abordam a temática está o Plano Nacional de Educação (PNE) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para formação de professores da educação básica, este aborda vagamente o problema da formação cultural. Tal documento, no seu artigo 2o sobre a organização curricular de cada instituição, diz que deve-se preparar o professor para: "[...] o exercício de atividades de enriquecimento cultural [...]"; e também recomenda "[...] iniciativas que garantam parcerias para a promoção de atividades culturais destinadas aos formadores e futuros professores [...]".(Brasil, 2002) Algumas pesquisas realizadas no Brasil abordam alguns fatores citados por professores que dificultam a sua frequentação aos espaços e consumo dos bens culturais, dentre eles temos jornada de trabalho intensas, salários baixos, falta de familiaridade com algumas formas de expressão artística, má distribuição ou ausência de Centros Culturais na localidade dele e dos seus alunos, falta de tempo e alguns fatores simbólicos. Em especial, estão mais envolvidos os fatores simbólicos, pois sabemos que o acesso as manifestações artísticas foi ficando restrito a alguns grupos sociais, detentores de uma herança cultural ou experiência transmitida desde a infância por seus membros familiares; estes teriam acesso aos bens culturais e conhecimento, além de alimentar tal necessidade. Como Bourdieu aponta (2003, p. 69)"nossa sociedade oferece a todos a possibilidade pura de tirar proveito das obras expostas nos museus, ocorre que somente alguns têm a possibilidade real de concretizá-la. (…) a necessidade cultural reduplica à medida que esta é satisfeita, a falta de prática é acompanhada pela ausência do sentimento dessa provação. Desse modo apesar, de existirem várias iniciativas que buscam diminuir o problema da dificuldade financeira e geográfica, há o problema da falta de hábito, então tanto os projetos como as instituições de ensino devem estimular e cultivar o amor pela arte. PROPOSTA DE DESDOBRAMENTO DA PESQUISA OU PROPOSTA DE SUMÁRIO Este relato foi vivenciado pela graduanda do curso de Pedagogia da UECE, que estava sendo orientada pelo professor José Albio, no período de 31 de julho a 01 de dezembro de 2010. Num primeiro momento em grupos de estudos fizemos leituras e discussões sobre a formação de professores, método científico, ensino de arte e frequentação de espaços culturais. Depois, realizamos um levantamento documental, através de busca a endereços eletrônicos das instituições que oferecem cursos de artes (na área de Música, Artes Visuais, Teatro e Dança) em Fortaleza. Notamos que existe uma deficiência na oferta de cursos na área de Teatro, e em especial, em Dança nenhuma instituição de Ensino Superior oferecia aulas para formação de professores nessa área de ensino. O curso mais oferecido é o de Licenciatura ou Bacharelado em Música. Com base nos dados visitamos os estabelecimentos que ministravam aulas na área, após uma conversa sobre o nosso trabalho e objetivos iniciávamos a entrevista com os professores; as conversas ocorriam em locais diversos nas próprias instituições, em espaços culturais e nas casas dos mesmos. Como o projeto ainda está em andamento selecionamos uma das questões e fizemos a análise das entrevistas que já foram realizadas, para investigar a formação no aspecto cultural, assim trazendo contribuições para a área da educação. A amostra analisada é composta por um número total de trinta professores que ministram aulas em algumas instituições que possuem cursos superiores em arte, como: IFCE com o curso de artes plásticas e cênicas, UNIFOR que possuem o curso de Belas-Artes, UFC com o curso de música e UECE também com o curso de Música. RESULTADOS ALCANÇADOS Os autores estudados trazem contribuições e reflexões sobre a importância de uma formação cultural para os professores de Arte, para assim ampliar seu repertório de saberes e melhorar sua prática docente, além de estar atualizado em relação a sua cultura. Entre os entrevistados, a maioria afirma frequentar os espaços culturais e eventos que acontecem em Fortaleza. Dentre os espaços mais citados estão: Centro Cultural Dragão do Mar e BNB, Teatro José de Alencar e o Espaço da UNIFOR. Os entrevistados concebem a frequentação aos espaços culturais como parte essencial da formação pedagógica/artística por ampliar a compreensão sobre o fenômeno artístico, além de abrir novos olhares para a sua prática docente. A grande quantidade de defesas da freqüentação dos espaços culturais, revelam que esta prática deve ser incentivada e incorporada a formação pedagógica/artística, por oferecer possibilidades de ampliação e compreensão do fenômeno artístico e da docente. Ficou evidente essa conscientização no depoimento de um dos entrevistados: "[...] qualquer tipo de evento cultural independente de ser só da música eu peço pra eles olhem, para que eles possam assistir porque é interessante para a complementação e até para o entendimento mesmo de outras coisas que não são só da música, mas é a história como um todo". Além, disso outro dado importante é que os educadores dizem estimular seus alunos na articulação entre as atividades de sala de aula e as atividades culturais realizadas nesses espaços. Para esses professores essa vivência é insubstituível e enriquecedora, já que nada se compara a experiência de estar pessoalmente diante de uma pintura, assistir um concerto ou uma peça. Os entrevistados nas suas falas concordam com Nogueira (2010) ao perceber essa experiência como propiciadora de crescimento cultural e elementar para a sua formação continuada, por ter a oportunidade de estar em contato com multiplicidades e diversidades culturais que passam a fazer parte da sua prática docente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos que de acordo com os depoimentos dos entrevistados a formação cultural e a frequentação dos espaços culturais são elementos importantes no processo de formação continuada do professor e na melhoria de sua prática docente. Os depoimentos também revelaram que a frequentação a eventos e espaços culturais, funciona como elemento de estimulo a uma reflexão sobre sua prática, ajudando a busca de formação continuada, ao mesmo tempo em que rompe com a barreira da percepção do cotidiano com algo cristalizado. A freqüentação funciona como uma forma de ampliação e atualização de conhecimentos, possibilitando o contato com novas técnicas, materiais e poéticas enriquecendo seu repertório e melhorando suas abordagens e processo de aproximação com os alunos. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Célia Maria de Castro. Formação estética de professores [as] da educação básica. Revista Digital Art&. Ano VI - Número 10 - Novembro de 2008. Acesso em:01/08/10. Disponível em: http://www.revista.art.br/site-numero-10/trabalhos/38.htm. ALMEIDA, Célia Maria de Castro. Cultura e formação de professores. In: Salto para o futuro: Formação cultural de professores. Rio de Janeiro, editora MEC/ Secretaria de Educação a Distância, Junho de 2010, Ano XX, boletim 07. BRASIL. Plano Nacional de Educação (PNE): subsídios para a elaboração dos planos estaduais e municípios de educação. Brasília, DF, 2001. Acesso em: 09/08/10. Disponível em: www.inep.gov.br/download/cibec/2001/titulos.../miolo_PNE.pdf. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n.° 1, de 18 de Fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais apara a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Acesso em: 09/08/10. Disponível em: portal.mec.gov.br/cne/arquivos/ pdf/rcp01_02.pdf. BOURDIEU, Pierre, DARBEL, Alain – O amor pela arte, os museus de arte na Europa e seu público. Edusp/Zouk, São Paulo, 2003. IAVELBERG, Rosa. A formação profissional de professores de arte. In: IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003. NOGUEIRA, Monique Andries. Formação cultural: questões teóricas. In: Salto para o futuro: Formação cultural de professores. Rio de Janeiro, editora MEC/ Secretaria de Educação a Distância, Junho de 2010, Ano XX, boletim 07.